Breve observação da saudade

Cheiro de sabonete da Granado. Cabelos finos e lisos. Ainda sinto o toque, fecho os olhos, respiro. Sua voz baixa e rouca ainda chamando o meu nome. Ou errando o meu nome. Me relembra que não mais.



A playlist do vizinho me lembra que hoje é quarta. Amanhã, como todos os outros dias, você não vem. O conhecido que revejo na rua te manda abraços, mas amanhã você não vem mais.

Eu sonho contigo, mas você não.

Toda vez que eu perco a distração. Toda vez que eu me sinto sozinho. Toda vez que eu me pego chorando. A brisa entra pela janela do ônibus – bagunça meu cabelo – e eu aceito isso como carinho teu. E agradeço a Deus por este breve ponto da eternidade que você esteve presente em minha vida.

Julieta, se eu repito teu nome é porque eu sei que tu jamais vais me deixar. Eu sei que olhas por mim. Que sempre será recíproco. Que apesar de todas as circunstâncias, ainda és o meu bem. O meu amor estrela guia. A minha pessoa preferida nesta vida. E hoje, a minha saudade mais bonita.

Tudo que eu mais quero é que esse reencontro seja verdade um dia. Depois dessa vida, eu quero ti ter perto o suficiente.

Meu Bem, Meu Bem

Eu olho para você dormindo sobre meu peito. Respiração lenta e profunda. O quarto estar a meia luz porque a iluminação da rua ainda entra pelas entranhas da janela. Nós respiramos fundo. Eu mergulho fundo.

Menino. Você é tão bonito.



O ventilador faz um barulho maior do que o calor que ele nunca espanta e por este breve segundo, antes de fechar os olhos e cair no sono, eu penso que a vida é boa. Menino, a vida é tão boa. Meu amor, eu desejo que isso seja infinito e se prolongue para muito além da vida. Eu quero acordar todos os dias desta minha breve existência e ter a consciência do meu amor por ti. E ti perceber bem aqui.

Do meu lado.

Eu tenho tantos motivos para agradecer ao universo por ter feito esse alinhamento cósmico que te trouxe até aqui, que às vezes, eu ignoro todas as minhas responsabilidades e todos os pesares desta vida só para dormir até tarde contigo e não me arrependo disso. Eu tenho tantos motivos para sorrir que às vezes até choro...

Você me bagunça.

Ainda nesta vida, se o destino me permitir e eu não sofrer nenhum acidente letal ou perca a memória ou sofra de alguma doença degenerativa, eu quero me casar contigo. Eu quero que tu sejas muito feliz. Eu quero te proporcionar isso.

Amorzinho.

Pássaro Que Não Voa

Meu bem. Meu bem. Eu não precisava ser esse ser humano que nasceu para amar demais. Eu nunca quis está perdidamente apaixonado por alguém. Eu que. Você que. Nós que nunca nos damos muito bem com esse negócio de relacionamento.



Devo admitir que eu não te procurava e hoje em dia, já não falo mais por mim... Pássaros sem asas. Pássaros que não voam – nós amamos a liberdade – e pela primeira vez, eu decidi ficar. Até quando o voo é curto, até enquanto eu ainda consigo te tocar, tudo que eu sinto é vontade de regresso. Vontade de morar no teu beijo. Mergulhar de cabeça no teu olhar. Eu respiro a brisa na beira do precipício. A queda é livre. É opcional. Mas um passo e tu casualmente, segura na minha mão. Eu me permito pular junto. Eu me permito amar de novo. Eu sinto uma paz de espirito enorme quando mesmo cansado da rotina, tu sorrir amarelo para mim. Ou me liga para perder sono. Hoje, meu maior desejo é de nunca me afastar. Amanhã, quero fazer ninho no teu peito e morar em ti.