Pássaro Que Não Voa

Meu bem. Meu bem. Eu não precisava ser esse ser humano que nasceu para amar demais. Eu nunca quis está perdidamente apaixonado por alguém. Eu que. Você que. Nós que nunca nos damos muito bem com esse negócio de relacionamento.



Devo admitir que eu não te procurava e hoje em dia, já não falo mais por mim... Pássaros sem asas. Pássaros que não voam – nós amamos a liberdade – e pela primeira vez, eu decidi ficar. Até quando o voo é curto, até enquanto eu ainda consigo te tocar, tudo que eu sinto é vontade de regresso. Vontade de morar no teu beijo. Mergulhar de cabeça no teu olhar. Eu respiro a brisa na beira do precipício. A queda é livre. É opcional. Mas um passo e tu casualmente, segura na minha mão. Eu me permito pular junto. Eu me permito amar de novo. Eu sinto uma paz de espirito enorme quando mesmo cansado da rotina, tu sorrir amarelo para mim. Ou me liga para perder sono. Hoje, meu maior desejo é de nunca me afastar. Amanhã, quero fazer ninho no teu peito e morar em ti.

Eu Queria Estar Morto

Meus mecanismos de defesas apitam: não se apaixone não, não por ele, não dessa vez. Eu respiro fundo, assumo os riscos e me permito afundar cada vez mais no verde desbotado dos seus olhos. Eu prendo a respiração e meus pulmões queimam. Mas eu sorrio. As borboletas ressuscitaram dentro do meu estômago. Mas eu sorrio. Eu perco o ar. Mas eu sorrio. Eu conto os segundos para te ver chegar e quando eu te vejo sorrir, a queda é para o alto. De olhos fechados. Eu me permito flutuar...



Mas meu amor, porque não? Se você vai me decepcionar, é da vida. Se às vezes eu vou te odiar, é da vida. Se eu vou ser feliz, tudo bem. Pode ser que tudo isso também vire saudades, mas quem sou eu para ignorar esse alinhamento cósmico que raramente acontece. Já faz tempo que eu venho me renegando aos prazeres e desprazeres da existência. Talvez eu precise tomar um partido. Mudar de estrada. Rever meus conceitos e te permitir partir meu coração. Ou ser iluminado, que é melhor. Acho que devo mesmo me permitir. O fundo do poço já não me parece ser tão confortável. Numa probabilidade pequena, talvez isso tudo valha a pena ou pelo menos sirva para preencher o silêncio das mesas de bar da Rodovia. Já não tenho mais tempo para deixar as oportunidades escaparem por entre os meus medos. Já não falo por mim. É uma mistura de pensamentos loucos que rodeiam na minha mente e no auge da minha insegurança, ele segura na minha mão. Eu disfarço com um riso. Eu me sinto bem. Eu me sinto vivo. Quando ele me abraça. Quando ele olha pra mim. Quando ele discretamente tira o peso das quinquilharias que carrego comigo e me deixa mais leve. A existência me parece bem tranquila. Eu queria ser eterno. Mas se eu morresse amanhã, eu morreria sorrindo.

A Culpa É Do Universo

Aconteceu uma coisa chata hoje: meu ventilador simplesmente parou de funcionar. Antes, eu ficava ouvindo o barulho da hélice girar e era meio que como uma terapia, já que sempre foi fácil pegar no sono. Amanhã eu vou comprar um novo e parcelar em 3 vezes no cartão. Mas hoje, bem, hoje eu vou me permitir pensar de você.



Vou, porque faz tempo que eu evito e ao que parece, não está ajudando em nada nesse processo de esquecimento. Já devem somar uns sete meses desde o dia em que a gente se esbarrou na Avenida Augusta e meio que nos falamos, só que rapidamente. Devo confessar que você estava linda demais. Sempre foi, mas é que como a gente se via todo dia, eu meio que já tinha me adaptado a tanta boniteza sua. Eu já tinha me adaptado ao seu jeito de ser, tanto, que tu fazias parte de mim. Olhos fechados. Eu não posso evitar o fato de que vez ou outra eu ainda me pergunte o que houve com a gente. Onde eu errei. O que faltou. E muito embora você insista em dizer que as coisas simplesmente acontecem e desacontecem nesta vida louca, demorou bastante tempo até eu conseguir digerir isso tudo. Eu tinha comprado as alianças porque eu queria me casar contigo, sabe. E aí, numa quarta-feira qualquer, você me diz que conheceu alguém chamado Luís e que precisava de um tempo para reorganizar seus sentimentos e rever algumas coisas. Depois desse tempo, o que me sobrou foi aceitar o fato de que a mesma mulher que guardava suas calcinhas junto das minhas cuecas na gaveta, que me amou um dia, que transava comigo sem camisinha, que eu apresentei para minha mãe como o amor da minha vida, hoje desfila por aí segurando na mão de outro homem. O que me sobrou, de fato, foi aceitar que hoje você está ainda mais feliz, o que é melhor, do que me ver morrendo de saudades de ti. Devo dizer também, que já não choro e que como você mesma disse, muito provavelmente eu iria superar tudo isso logo, logo. Ontem, vendi as alianças na Olx e o mais bonito nisso tudo, é que finalmente as minhas esperanças acabaram. Eu aceitei que você encontrou alguém melhor que eu. Eu aceitei que certas coisas não precisam ser eternas para serem bonitas. Hoje, daqui de longe, eu te vejo feliz e já não me sinto frustrado. Já não me pergunto o que diabos ele tem que eu não tenho. Já não me questiono. Já achei minhas respostas. Hoje eu te vejo sorrindo nas fotos com ele, e me sinto bem, porque acima de tudo, eu quero que você seja feliz. Hoje, com o quarto em silêncio, eu me permitir lembrar de ti como uma pessoa que foi importante na minha vida e não, não se preocupe meu amor, eu jamais te culparei por ter encontrado um amor mais bonito que o meu nesta vida.