Uma marionete...


Quando as pessoas enjoam dos meus movimentos,
eu sou jogado em um canto qualquer,
Esquecido ali por algum tempo e depois usado novamente.
Mais ninguém sabia de nada.
Ninguém imaginava minha solidão.
Embora eu já me acostumasse, eu não me conformava. Eu queria sorrir, correr, chorar, "amar" e não podia por que
eu não sentia absolutamente nada em mim...
Na superfície rígida gelada e sem vida de meu corpo.
Eu havia sido projetado, feito para ser manipulado por
qualquer um e depois esquecido. Para que eu existia, qual a razão de minha existência,
qual a razão da estranha dor que crescia no local onde
deveria ser meu peito? Por qual motivo tinha sentimentos
se não podia vive-los? Por que eu desejava coisas que no foram
feitas para mim. Eu tentava desesperadamente tirar meu coração do peito,
mas para meu espanto ele era apenas um desenho borrado
pintado de vermelho. Feito inutilmente para preencher
um vazio que não existia. Para disfarçar uma dor que não era minha.
E eu que imaginava um coração batendo aqui
, em sintonia lenta com uma vida que não existia...
E lágrimas salgadas que escorriam sobre a superfície dura
de um rosto de madeira. Por um minuto achei que pudesse ser verdade, mais ao levar minhas mãos até elas percebi que não existiam,
eu apenas imaginei o caminho que elas teriam feito...
Mas não fiquei triste, pois mentia para mim mesmo para
confortar-me de minhas desilusões. E então alguém esticou meus fios,
e me manipulou mais uma vez pelas cordas
presas em meus membros. Fui obrigado a abrir um sorriso largo,
que escondia lágrimas que meus olhos de
vidro insistiam em impedir que escorressem
por minha face sem vida... Fui puxado bruscamente
para frente do palco, e comandado para cumprimentar o publico.
Todos acreditaram no meu teatrinho de quinta,
todos pareciam me ver,
mas ninguém enxergava aquele insignificante
ser que puseram na sua frente.
Absolutamente ninguém via minha dor.
Eles só queriam rir e se entreterem mais
e mais das coisas engraçadas que me eram programadas. Por fim minhas mãos levantaram e deram tchau sem eu querer.
E as cortinas vermelhas se fecharam.
E por alguma razão desconhecida cortaram os meus fios.
E eu, O boneco.
Cai sem força e sem vida de encontro ao chão do palco.
Sem servir mais para nada,
eu retornei para o canto escuro do qual eu nunca deveria ter saído. Onde me refugiaria dali em diante na solidão. Ps.: não deixe que as pessoas poderosas façam de você uma marionete, fazendo você se sentir a pessoa mais privilegiada e cobiçada do mundo, e depois quando você não servir mais para nada elas quebrarem o encanto e você cair sem nada de encontro á realidade...

5 Comentários

  1. Marionetes todos somos em algum momento dessa vida,
    mas mesmo assim,tentar acreditar ainda vale a pena.

    Bonito seu texto.

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  2. concordo colega todos passamos por isso!!

    rick só vc mesmo para ter feito algo tão reflexivo""
    bbbbbbbbbjo""

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  3. Pena quando pessoas fazem pessoas de marionetes. Aí a brincadeira não tem graça né??

    Adorei flor!
    BeijO*-*
    www.evesimplesassim.blogspot.com/

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  4. Isso acontece com todos nós.

    Querido, foi você que desenhou a imagem do post?

    bjos

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  5. Adorei aqui tbm to te seguindo...bjs

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